Reprodução

As búfalas tem período médio de gestação de 10 meses, apresentando a primeira cria com cerca de 34 a 38 meses de idade com peso de cerca de 480 a 500 Kg e, a partir daí, mantém um intervalo interparto médio de cerca de 14 meses, produzindo assim praticamente um bezerro a cada ano, com peso médio ao nascer em torno de 35 Kg, com taxas de fertilidade usualmente acima de 90% sob condições normais de criação a campo e cuidados básicos de manejo.

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Quanto à longevidade reprodutiva, observa-se com freqüência animais com mais de 20 anos produzindo bezerros normalmente. A ocorrência de gemelares é rara, em nossa observação, tivemos três casos em cerca de 2.500 nascimentos.

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055A maturidade sexual ocorre por volta de 24/26 meses em ambos os sexos, com fêmeas sendo cobertas com pesos a partir de 300 a 350Kg e os machos utilizados para a reprodução usualmente após os 2,5-3 anos de idade.

Como regra, utiliza se a monta natural a campo, porém, existem no Brasil diversos rebanhos utilizando rotineiramente a inseminação artificial, pelo menos em parte do rebanho, sendo sua tecnologia já consolidada. Experimentos vem sendo desenvolvidos com relação à transferência de embriões, sendo que em nossa propriedade, em 1995, tivemos o nascimento do primeiro produto de transferência do país sob a supervisão do Dr. Pietro S. Baruselli e equipe. Neste mesmo ano, em função da poliovulação induzida em uma fêmea artificialmente inseminada, tivemos oportunidade de observar a ocorrência do nascimento de trigêmeos.

Búfala com trigêmeos

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017Na monta natural, costuma-se separar os animais em lotes de até 40/50 fêmeas para cada touro, mantendo os lotes fisicamente afastados uns dos outros a fim de se evitar “brigas” entre os machos. Alguns criadores mantém, sob condições especiais, mais de um touro no mesmo lote. Nestes casos, porém, devem ser sempre touros jovens, e freqüentemente devem ser substituídos. Em nossa propriedade, mantemos rufiões, com buçal marcador junto às vacas a fim de auxiliar a identificação do cio, quando efetuamos a monta sob supervisão.

Intervalo Interparto médio de búfalas na Faz. Paineiras da Ingaí entre 1974/1994 (dias)

 

Período

Nº Observ.

Média (dias)

Desvio Padrão

Até 1974

61

451,1

139,2

1975-79

88

441,7

103,1

1980-84

125

440,6

102,4

1985-89

126

440,8

122,3

Após 1990

26

413,3

60,5

Uma característica marcante da fisiologia desta espécie é sua acentuada sazonalidade reprodutiva. Quanto à estação do ano, 93,3% das fêmeas tiveram parições entre o verão e o outono.

 

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Conforme se observa no gráfico acima, com base em 2.109 nascimentos ocorridos entre 1974 a 1994, 82% dos nascimentos ocorreram entre janeiro e abril (verão), totalizando 96% no primeiro semestre e, ainda, que as parições vem sendo antecipadas no decorrer dos anos, deslocando o eixo de fevereiro a junho, para o período de novembro a maio, devido principalmente à ocorrência mais precoce de parições das novilhas de primeira cria, traduzindo provavelmente um melhor desenvolvimento destas com a conseqüente antecipação do primeiro cio. Cerca de 61% das fêmeas de primeira cria pariram entre dezembro e fevereiro e, em igual período, apenas 39% das fêmeas com mais de uma cria tiveram suas parições.

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007

Este comportamento gera diversas implicações importantes; as épocas de cobertura, de nascimentos e de desmama ocorrem praticamente em “bloco”, o que permite ao criador melhor planejar sua atividade, inclusive sob o aspecto administrativo; como o pico de produção ocorre cerca de 60 a 90 dias da parição, o maior volume da produção leiteira nas búfalas coincide em nossa região com o período “seco”(inverno), ou seja, exatamente na “entressafra” da produção leiteira dos bovinos; a desmama ocorre nos meses de novembro/dezembro (primavera), ou seja, quando as pastagens já apresentam boa recuperação e há um aumento da oferta de alimentos não conservados, garantindo um desenvolvimento sem descontinuidade dos bezerros, a um custo menor dado a maior oferta de alimentos “in natura” e favorecendo assim seu precoce aproveitamento para o abate com um menor custo; da mesma forma, as matrizes se “recuperam” de sua fase de lactação exatamente no último trimestre da gestação, assegurando o nascimento de bezerros com melhor desenvolvimento; o período de cobertura ocorre ao final do verão e início de inverno, com os animais em melhores condições nutricionais, favorecendo assim uma maior fertilidade do rebanho.

 Como vimos, a sazonalidade bubalina se convenientemente explorada e no que se refere à produção de leite para consumo “in natura”, pode representar a eliminação do chamado período de entressafra quando, com a produção leiteira bovina em queda, eleva-se em muito seu custo em função da administração de alimentos conservados, ou mesmo a armazenagem do produto em pó para reconstituição. No caso brasileiro, poderíamos inferir que as cerca de 500.000 matrizes existentes (1980), se exploradas para a produção de leite produziriam pelo menos 500 milhões de litros anuais, isto é, cerca de metade de nossas importações do produto (década de 80). E, como seu rendimento industrial é cerca do dobro do bovino, poderíamos inferir que a simples ordenha das fêmeas existentes poderia representar a auto-suficiência na produção brasileira de leite, com distribuição mais uniforme dado os picos de produção não coincidentes nas duas espécies e consequentemente, com um menor custo de produção.

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