Leite de Búfala

Segundo dados da Associação Italiana de Produtores (AIA), a produção média das 12.813 búfalas controladas em 1993 foi de 1.912 Kg com 8,1% de gordura e 4,54% de proteínas, sendo que 23% submetidas a uma ordenha diária (média inferior a 1800Kg) e o restante a duas ordenhas (média de 2400Kg). Outras informações na literatura apontam para produções de 1.700 Kg (Murrah) e 2.130Kg (Murrah Búlgaro), na Bulgária, de 1.725Kg na Venezuela (Faz. Terecay), e média de 1.050 Kg no Brasil.

A produção de grupos de elite mostra produções médias anuais de 2.524Kg na Bulgária, 2.943 Kg na Itália, 2.700 Kg na Yoguslávia, 2.964Kg no Paquistão, 1.769Kg no Egito e 1.725Kg na Venezuela. Na fazenda Paineiras da Ingaí, obtivemos em 1994 uma média de produção ajustada a 305 dias de 3.456 Kg (média de produção total na lactação de 2.600Kg) .

A curva de lactação na Itália apresenta um pico de produção entre 35/50 dias após a parição, mantendo após um platô relativamente constante, com duração variável de acordo com o potencial genético do animal, caindo para cerca de 3 a 4 Kg/d ao final da lactação. A composição do leite é também variável, de acordo com a fase de lactação, conforme discutido anteriormente.Na fazenda Paineiras da Ingaí, observamos o seguinte comportamento da produção relativa média das vacas (100% = máxima produção).

Tem influencia na produção a ordem da cria, elevando-se, segundo nossa observação de forma significativa até a terceira cria. Assim, como estimativa de produção poderíamos, na falta de fatores mais acurados, estabelecer um fator de correção de 42% da 1a. para a 3a. lactação, e de 11% da segunda para a terceira.

A introdução de uma segunda ordenha diária, obviamente com uma oferta adequada de alimentos, promove um aumento de cerca de 30-35% na produção leiteira.

Estudos na Itália avaliam as necessidades alimentares da búfala para produção de leite em 1.003 a 1.603 Kcal de ME/Kg de 4% FCM, variando de acordo com a fase de lactação, o que resulta numa eficiência de produção leiteira da búfala na primeira fase da lactação da ordem de 47%, sendo as necessidades protéicas inferiores às recomendadas pela NRC para bovinos, com eficiência de utilização de proteínas de 61%.

Melhoramento da Produção Leiteira

A introdução da inseminação artificial vem permitindo um evolução genética mais acelerada nos países em que vem sendo adotada, visto permitirem a realização de testes de progênie e adoção de melhor seleção paterna.

Na Itália, após a introdução do registro genealógico em 1979, observou-se que o processo de seleção promoveu ganhos de cerca de 200 Kg/lactação (de 1.700 a 1.900 Kg). Em 1980/82, cerca de 0,7% da população de búfalas produziam mais que 3.000 Kg por lactação, percentual que se ampliou para 2,5% em 1990/92.

Na Fazenda Paineiras da Ingaí, observamos uma evolução das produções ajustadas a 305 dias mais acentuada, visto que, a partir de produções médias de cerca de 1.000Kg por lactação observadas em 1972, atingimos em 1996 uma média de 3.503 Kg. E, em 1987/90, cerca de 2,1% das fêmeas no rebanho produziram mais de 3.000 Kg, evoluindo para 8,6% em 1992/94. Tal evolução, acreditamos, foi devida em grande parte pelo melhor manejo alimentar dos animais, introdução da segunda ordenha e pelo processo seletivo, envolvendo taxas de reposição de cerca de 25-30% em determinadas fases da criação. e a utilização de touros Murrah puros de ascendência reconhecidamente de alta produção leiteira.

  Frequência (%) de produção leiteira anual ajustada para 305 dias ,
corrigidas para 3a. lactação e 2 ordenhas diárias.

Ano Fêmeas Média(Kg) <2000 2000-2500 2500-3000 >3000
1987 122 1,380 84% 15% 1% 0%
1988 77 1,347 97% 1% 1% 0%
1989 79 2,300 33% 41% 15% 11%
1990 107 2,521 17% 35% 29% 20%
1991 85 2,366 20% 39% 32% 9%
1992 62 2,795 6% 19% 40% 34%
1993 81 2,508 10% 44% 27% 19%
1994 64 2,928 7% 14% 34% 45%
1995 43 3,456 5% 0% 14% 81%
1996 22 3,452 5% 5% 5% 85%

          Fazenda Paineiras da Ingaí – 1987 a 1996

 Um aspecto muito importante no melhoramento da produção leiteira reside, em nosso entendimento, na melhora do manejo alimentar desta espécie, ainda pouco estudada para as condições e tipo de manejo desenvolvido em nosso país. As respostas a alimentos de melhor qualidade são bastante animadoras, mostrando que boa parte da menor produtividade da espécie com relação aos bovinos é decorrente deste manejo deficiente.

A variabilidade da produção leiteira nas búfalas é ainda muito ampla, o que nos permite afirmar que a intensificação do processo de melhoramento genético encontra na espécie um excelente potencial de desenvolvimento. A utilização de moderna biotecnologia, acreditamos, virá dar um novo impulso ao processo de melhoramento e aumento da produção leiteira. Assim, já vem sendo testados para utilização a r-BST (somatotropina), cujos trabalhos preliminares apontam para uma boa resposta na produção em búfalas (cerca de 20%). As técnicas de inseminação artificial vem se difundindo rapidamente nas criações particularmente no Sudeste e Sul do país, já existindo disponíveis sêmen de touros de ascendência produtiva excelentes (como Montenegro da Ingaí). Outra técnica hoje muito estudada, apesar de não disponível para utilização comercial, é a transferência de embriões, cujo primeiro produto no país nasceu em 1995 na Fazenda Paineiras da Ingaí. Com relação aos reprodutores utilizados no processo de melhoramento, com base nas médias de produções ajustadas a 305 dias em que dispomos de informações sobre a produção das mães e das respectivas produções ajustadas de suas filhas, verificamos as informações abaixo relativas à influência dos pais no aumento da produção leiteira. Apesar das restrições quanto às alterações de manejo havida entre cada geração, tais informações são um indicativo da capacidade de melhoramento de cada reprodutor.

Comparação da produção ajustada para 305 dias e 3a lactação de mães e filhas por reprodutor utilizado.

Touro

Nº Observ.

Prod. Mães

Prod. Filhas

% Aumento

Aumento Kg

25-Meia Noite

20

1.467

1.621

+ 10%

+ 154

248-Sertãozinho

29

1.429

2.067

+ 45%

+ 638

404-Lampeão

20

1.428

2.182

+ 53%

+ 754

405-Bingo

3

1.728

2.124

+ 23%

+ 396

450-Yuri

23

1.432

1.827

+ 28%

+ 395

574-Azhor

21

1.350

1.598

+ 18%

+ 248

709-Baião

9

1.818

2.124

+ 34%

+ 611

717-Sombra

18

1.791

2.626

+ 47%

+ 835

854-Colosso

15

2.359

3.224

+ 37%

+ 865

913-Montenegro

7

2.455

3.475

+ 42%

+ 1.020

1008-Obaluaê

42

1.977

2.443

+ 24%

+ 466

1486-Topázio

7

2.814

3.427

+ 22%

+ 613

Fonte: Fazenda Paineiras da Ingaí (1972 a 1994)

 

O leite de búfalas

O leite de búfalas apresenta características particulares que o diferenciam do leite bovino, das quais poderíamos ressaltar; maior teor de gordura (107%), com menor teor de colesterol total (20%), maior teor de proteínas (34%), maior teor de sólidos totais (48%),menor teor de sódio, cloro e potássio e maior teor de cálcio e magnésio.

Composição do LEITE

Búfalos

Bovinos

Densidade a 15ºC

1.034

1.031

Sólidos Totais

17,5%

12,8 %

Proteínas

4,0%

3,5%

Lipídios

8,0%

3,5%

Lactose

4,9%

4,7%

Cinzas

0,8%

0,7%

Colesterol Total e Livre

214 mg%

319 mg%

Água

82,00%

87,30%

Fonte: Carreale e Citro – 1.990

O leite apresenta composição variável conforme a fase de lactação, variando o teor de gordura de 6-7% ao início da lactação até 12-14% ao final, e a proteína de 4% ao início, até 5,6% ao final.Com relação à proteína, 77 a 79% da mesma é representada por caseína, e o restante por soroproteínas. Quando à gordura, apresenta quantidade de colesterol total inferior à dos bovinos. Apresenta maior teor de cálcio e magnésio, e menor teor de sódio, potássio e fósforo, traduzindo uma relação Ca/P de 1,71, superior à dos bovinos (1,31). Quanto ao poder calórico, tem cerca de 1,5 a 1,9 vezes mais calorias que o leite bovino.

O leite de búfalas contem níveis mais elevados de lactoferrina, que lhe conferem uma maior atividade antimicrobiana. Sua microflora é rica em algumas espécies de lactobacilos, presentes em concentrações superiores ao do leite bovino, responsáveis pelo aroma e sabor peculiar dos queijos produzidos com este leite, bem como pela acidificação da coalhada.

Estas características particulares explicam seu alto rendimento industrial, quando transformado em derivados, justificando seu emprego quase que exclusivamente para a industrialização na Itália. Assim, 12 Kg de leite de búfalas com 7,5% de MG e 4,5% de proteínas, produzidos por búfalas em início de lactação, equivalem a 18,4 Kg de leite bovino com 4% de MG e, 6Kg de leite de búfalas com 10% de MG e 5% de proteínas, produzidas por búfalas em final de lactação, equivalem a cerca de 11,5 Kg de leite bovino a 4% MG.

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